Mostrando postagens com marcador Clássicos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clássicos. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de novembro de 2014

O Iluminado / The Shining (1980)
Yasmin Farias17:48 0 comentários

O Iluminado



            O iluminado, mais uma grande obra de Stanley Kubrick é baseado no romance de Stephen King  mesmo autor de Carrie A Estranha, muito conhecido por suas obras abordarem o horror fantástico.
            O filme estrelado por Jack Nicholson vivencia Jack Torrance, um escritor e alcoólatra em recuperação, que participa de uma entrevista para trabalhar como zelador no hotel Overlook, no período que ele permanecerá fechado devido a uma intensa nevasca que atinge essa região durante sete meses. Jack aceita o trabalho com o intuito de aproveitar a solidão do hotel para escrever. 
            Assim, ele se muda para Overlook junto com sua esposa Wendy (Shelley Duvall) e seu excêntrico filho Danny (Danny Lloyd), um garoto dotado de habilidades psíquicas que consegue vislumbrar cenas do passado e do futuro, além de ter o dom da telepatia, habilidade que o consagra de “iluminado.” Os dias vão passando, durante eles Jack se isola cada vez mais para trabalhar em seu livro, enquanto sua mulher cuida dos afazeres do hotel. Já Danny passa a ter visões de assassinatos enquanto explora os corredores do lugar.
            Com o início da tempestade de neve a família fica presa no hotel, cuja grandiosidade aumenta a impressão de isolamento e solidão. Jack afetado por essa sensação é influenciado por uma presença sobrenatural e desenvolve a “febre da cabine” tenta assim, assassinar sua esposa e filho. Acomete a famosa cena do banheiro, onde Wendy se tranca para se proteger de Jack que dá investidas machadadas na porta para derrubá-la. Ele diz a célebre frase: “Here is Johnny.”
            Na cena final do filme aparece uma fotografia de Jack sorrindo em meio a uma festa, datada de 4 de julho de 1921. Muitos críticos dizem que a explicação para isso é que Jack foi absolvido pelo hotel. Porém, segundo Kubrick ele é a reencarnação de alguém que viveu no local. Há até os conspiradores que acreditam que a obra é uma referência e um pedido de desculpas ao público sobre o assunto do Apollo 11. Cuja cena Kubrick teria dirigido. Quanto à veracidade disso, nunca foi comprovada, mas que realmente há elementos no filme que dá indícios e o que falar sobre o assunto, isso há.
            Uma curiosidade sobre o filme para quem gosta de rock, é que ele foi a inspiração para as canções “The Kill “ (30 Seconds to Mars) e “Spit it out” (Slipknot).
            Esse filme dotado do tradicional zoom ligado a assustadores elementos da narrativa, além de enquadramentos perfeitos e planos gerais muito bem desenvolvidos, está classificado entre os maiores filmes de terror, com direito a várias interpretações. Eu particularmente ainda tenho pesadelos com as assustadoras sombrancelhas de Nicholson. Kubrick conseguiu mais uma vez nos vislumbrar e aterrorizar usando os seus conhecimentos e habilidades técnicas e narrativas.
            Sendo assim, eu recomendo para aqueles que ainda não assistiram que o vejam agora mesmo e percebam a genialidade de Kubrick e o jeito de fazer cinema.



terça-feira, 7 de outubro de 2014

Tempos Modernos (1936)
Unknown06:57 0 comentários



Tempos Modernos (1936)

Tempos Modernos foi uma crítica de Charles Chaplin a indústria cinematográfica, a Revolução Industrial e as suas consequências como a manipulação e alienação do trabalhador das fábricas. Em 1927 pela Warner Bros. surgi o primeiro filme com passagens faladas, uma revolução para a 7ª arte, que transforma o Cinema e institui uma nova era, a do Cinema falado. Com isso, muitos atores do Cinema mudo foram esquecidos por não conseguirem se adaptar a era do som.
Carlitos, personagem mais famoso de Chaplin, com seu terno desajeitado, chapéu-coco, bengala de bambu e até então mudo é convidado a falar pela primeira vez. A indústria cinematográfica recusava a inclui-lo em seus filmes se ele não falasse, o que ia de encontro com os valores de Chaplin “Eles estão arruinando a grande beleza do silêncio”. Justamente, por isso, ele produz, dirige, roteira e estrela uns dos filmes mais brilhantes que a humanidade já viu.
O filme apresenta-se como uma história sobre a indústria, iniciativa privada e a humanidade em busca da felicidade. Carlitos, um trabalhador com um sério problema nervoso causado pela realização de trabalhos repetidos (L.E.R), é o personagem principal, que vive nos Estados Unidos após a crise de 1929, ou seja, o cenário é marcado pela miséria, pela fome e pelo desemprego. Carlitos por seus colapsos nervosos é considerado louco levado para o hospital e após sua volta a fábrica já está fechada. As cenas também são divididas com uma órfã, que tem que praticar furtos para sobreviver. Essa mocinha mais ao longo da narrativa vai se envolver com Carlitos e juntos vão idealizar uma vida longe da vida moderna.
A crítica a sociedade industrial, capitalista e moderna é apresentada pelo humor e pelas imagens aleatórias, para o espectador desatento, de uma forma quase sutil e muito bem humorada. Logo na primeira cena, o filme abre com a imagem de um relógio e com toda significação que este pode ter para a modernidade. O tempo é o novo Senhor do homem, sem ele o sujeito da modernidade encontra-se perdido e desamparado. Depois do relógio, o diretor (Chaplin) faz uma brincadeira entre um rebanho de ovelhas e um aglomerado de trabalhadores das fábricas, os homens amedrontados assim como as ovelhas correm, correm sem pensar, afinal o proletariado não precisa pensar, precisam correr e trabalhar, ainda mais porque pensar requer tempo… E tempo é dinheiro.
Tempo realmente é dinheiro. Chaplin materializa essa frase no filme com a ida dos funcionários ao banheiro. Toda saída do trabalhador deve ser registrada no ponto, pois quem está no banheiro não está produzindo. Uma das melhores cenas do longa é quando Carlitos é obrigado a comer servido por uma máquina com o objetivo de poupar tempo. O humor caracteriza-se com a brilhante interpretação de Charles Chaplin e com a complicação da máquina. Há várias cenas que se pode perceber essa relação tempo, máquina e homem/operário, sendo o homem/operário o menor e mais insignificante dessa relação.
Carlitos se envolve em uma confusão tomado como o líder comunista por trás da greve que está a acontecer e acaba por ser preso. Nessas cenas está a ironia. O personagem é tão bem tratado e alimentado que decide fazer o que for possível para retornar a prisão, ou seja, a situação é tão miserável que o indivíduo prefere deixar sua liberdade por uma refeição.
Outra grande cena do filme é a canção de Carlitos. Todos esperam que o personagem fale pela primeira vez, ao invés disso, Chaplin genialmente encena a canção alternando em várias línguas, espanhol, francês, inglês, italiano. Provando, assim, que há uma linguagem que atinja a todos: O gestual.
Através do riso e do sarcasmo, Chaplin denuncia as condições de trabalho, insiste no cinema mudo, prova que a ação pode ser entendida sem a fala, as palavras e realiza uma das mais geniais obras cinematográficas. Tempos Modernos é envolvente, apaixonante do começo ao fim. Para quem não gosta de Cinema antigo com certeza é porque ainda não assistiu ao filme, então, vale a pena o desafio, para quem gosta do Cinema mudo ou não assistir aos filmes do Chaplin é um deleite. Em suma, não é possível gostar de Cinema sem gostar de Charles Chaplin.
Por: Vanessa Freitas e Yasmin Farias

Det Sjunde Inseglet - O Sétimo Selo (1957)
Unknown06:45 0 comentários



DET SJUNDE INSEGLET - O SÉTIMO SELO (1957)
Você já se imaginou jogando xadrez com a morte?

Essa é uma das cenas mais renomadas do cinema. No entanto, embora seja muito conhecida, muitos não sabem que ela vem do filme O Sétimo Selo (1957), que é um dos mais geniais clássicos do cinema. Dirigido pelo renomado Ingmar Bergman, o filme narra a vida de um cavaleiro ((Max Von Sydow), que retorna das Cruzadas e depara-se com seu país devastado pela peste negra.
A obra tem como temática principal o medo da morte e as dúvidas fomentadas pela fé. A primeira cena do filme é a clássica - já citada- em que o cavaleiro ao refletir sobre sua vida, encontra a Morte (Bengt Ekerot), que, na verdade, veio buscá-lo. Assim, com medo de ser levado e afim de ganhar tempo, convida a Morte para jogar uma partida de xadrez, na qual decidirá se ele será ou não levado. Os elementos das cenas apresentam-se como uma alegoria: o jogo representa as diversas tentativas do homem em tentar enganar a morte.  Seria uma crítica a nós mesmo, que sempre nos achamos imortais…
            O roteiro é muito bem construído, vale ressaltar que é uma adaptação de uma peça teatral. Além disso, cada personagem na obra tem um papel fundamental e representa um ponto crítico, dentre eles os mais importantes são: O artista e sua esposa (Bibi Andersson), o ferreiro (Åke Fridell) e Lisa (Inga Gill), o Cavaleiro, Raval (Bertil Anderberg), Jons (Gunnar Björnstrand) e Skat (Erik Strandmark).  
O Sétimo Selo está diretamente ligado ao texto bíblico "Apocalipse" ou "Revelação", em que acredita-se que Deus tem um livro selado com sete selos, nos quais a abertura implica em punições à humanidade. Assim, o cenário e a ambientação escura, deserta e apocalíptica retomam o texto bíblico. Mesmo o cinema já tendo a tecnologia da cor, Bergman decidi usar o preto e branco, possivelmente, para evidenciar e dar profundidade à temática da obra. Além disso, à trilha sonora forte e dramática expressam a agonia e até mesmo o medo sentido pelos personagens.
As ideias do longa são muito bem trabalhadas pelo diretor, podemos perceber na composição dos planos e sequências escolhidos. Por outro lado, o diretor torna essas ideias mais evidentes com os jogos de cenas, como o encontro da Morte com o cavaleiro em vários momentos para continuar a partida de xadrez, isto é, ninguém consegue fugir da morte. A temática da fé está presente em diversos elementos, principalmente, no discurso. Há também uma cena em que o artista vê uma mulher com um bebê, que seria Nossa Senhora e o Menino Jesus.
O trabalho feito pela equipe cinematográfica é simplesmente bárbaro. O espectador ao assistir ao longa deve ter muita atenção, pois o filme, embora, seja maravilhoso é bastante difícil e complexo. No entanto, ainda que não se entenda tudo - se é que é possível entender tudo- da primeira vez, o próprio longa nos convida a ver várias e várias vezes.
Por fim, não poderíamos deixar de comentar a cena final, A Dança da Morte, em que após uma espécie de "apocalipse", a morte vai a frente levando a foice e uma ampulheta - a imagem clássica - seguida por todos os personagens, salvo o artista e sua família, que vão atrás de mãos dadas em uma espécie e dança solene, como narra o Artista "dançam para longe do sol, rumo à escuridão"..
Por: Viviane Freitas

quarta-feira, 19 de março de 2014

Week-end à Francesa (1967)
Unknown14:25 0 comentários


“Desafiador”, “barulhento”, “crítico” e “impressionante”, seriam as palavras certas para definir Weekend, de Godard.  Todos, ou grande parte, reconhece a genialidade de Godard, assim não desconfiando dessa genialidade, resolvi compreender melhor sua obra, comecei a pensar no que a torna tão genial.  Sem dúvidas os filmes do brilhante diretor não são fáceis de se entender, partindo do sentido de que o verdadeiro expectador não é aquele que apenas assiste ao filme pacificamente, mas sim o que tenta desvendá-lo ou menos dialogar com a obra. Antes de falar propriamente do filme, gostaria de deixar claro que minha crítica, comentário, review ―como preferirem― Não é uma análise científica, até porque não sou especialista nisso. 
Weekend é um filme feito aos moldes Nouvelle Vague, explicando rapidamente, foi um movimento artístico do cinema francês, as principais características são: uma montagem inesperada, original, sem concessões à linearidade narrativo, marcada também por um estilo mais politizado.
A obra é baseada no conto inesquecível "A Auto-estrada do Sul", de Júlio Cortázar. Embora não seja uma representação fiel do conto, Godard consegue evocar os principais elementos da narrativa do Cortázar.  O filme narra a trajetória de dois jovens que estão tentando chegar a uma casa de campo, nesse percurso, eles encontraram diversos personagens com que vão criar diálogos diversos, críticos e extremamente interessantes. Os personagens em si são muito bem construídos, na verdade, eles encaixam-se perfeitamente no filme. 
Weekend vai falar sobre o apocalipse automobilístico, tanto que o filme se passa em uma estrada (rodovia). Ao decorrer do longa são apresentadas as consequências e caos causados por essa automobilização desenfreada: carros tombados, pegando fogo, pessoas mortas e afins. 
Uma das cenas que marcou o filme é a do engarrafamento quilométrico, em que inúmeros carros estão parados na estrada, buzinando, pessoas gritando, outras paradas na estrada relacionando-se.  A cena demonstra exatamente a relação dos automóveis e o caos, é extremamente longa e barulhenta, na verdade, o filme é muito barulhento, salvo cenas em que há diálogos mais sérios e alguém cantando.
O filme, brilhantemente, crítica à sociedade consumista e hedonista, à banalização da vida, à falta de respeito e ao etnocentrismo. A crítica da obra é construída não só pelo roteiro e direção, mas também pela montagem que, aliás, é arquitetada por meio de símbolos e alegorias. O uso das cores, tomadas rápidas, lentas, os cenários, a edição caótica, extraordinária e até mesmo enigmática fazem a grandeza do filme.