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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Onda / Die Welle (2008)
Yasmin Farias16:10 0 comentários





          A ditadura da Alemanha deixou de ser possível? Em pleno seculo XXI seria possível uma ditadura entre nós? A Alemanha nazista poderia voltar a existir? Difícil acreditar nisso não é mesmo? Depois de tudo que os alemães e o mundo todo passou, depois de testemunharmos uma das maiores atrocidades já cometidas por uma ideologia absurda, seria difícil imaginar que isso poderia vir a ocorrer novamente. 
          É o que uma turma de estudantes alemães alegam para seu professor quando ele faz essas perguntas. Dada as respostas, o professor decide fazer um experimento com seus alunos. Como foi possível a ditadura de Hitler? E mais: ela poderia se repetir hoje em dia?
          O filme Die Welle (A Onda) é inspirado no livro "The Wave" do autor americano Todd Strasser e no experimento social da Terceira Onda em uma escola de ensino médio em Palo Alto, na Califórnia. Durante uma semana de projeto da escola, o professor Rainer Wenger (Jürgen Vogel) é forçado a ensinar autocracia, mesmo depois de ter pedido para ficar com as aulas de anarquia. A Onda vai abordar uma condição em classe que vai transtornar a vida de seus alunos e criar um assombro na comunidade local.
          Durante esse projeto ele começa exigindo que todos os alunos se refiram a ele como "Herr Wenger" (Senhor Wenger). A classe elege um líder (o professor) e ele começa a incutir nos alunos (apenas como exemplo) as virtudes e práticas que acompanham uma autocracia "Força através da disciplina" e "Trabalho como um só". Os alunos logo tornam-se obcecados com isso. Logo, o que era uma experiência de sala de aula simples cresce a uma entidade social.
          Rainer então sugere que todos do grupo devem vestir uma camisa branca e calças jeans, para que não haja mais distinções entre eles. Karo (Jennifer Ulrich) que ao longo da história será uma das alunas que lutam contra o movimento, vem à aula usando uma camiseta vermelha, e descobre ser a única a não aderir ao uniforme. Outro aluno, Tim (Frederick Lau) é um dos que mais se envolve com a ideia, pois pela primeira vez ele se sente aceito em um grupo. Ele queima todas as suas roupas de marca e mais tarde aparece na casa de Rainer, oferecendo-se para ser seu guarda-costas.
          Herr Wenger atrai seus alunos desavisados a um senso de fascismo, dá um
poderoso desempenho como professor idealista que não tem conhecimento da influência que ele tem sobre os outros. Nós mesmo nos sentimos arrastados para o filme da mesma forma que os alunos de Rainer estavam sendo atraídos para seu "experimento". O drama se desenrola de forma relativamente lenta no início, mas vai ganhando ímpeto e conseqüências. Há também um retrato comovente de algumas das tensões produzidas dentro de alguns dos pares românticos, bem como a extrema angústia causada em um aluno, Marco (Max Riemelt) por sua suscetibilidade. 
          O experimento escolar aos poucos começa a se parecer com o passado da Alemanha, a ironia mordaz deste filme é que no início das aulas de autocracia, Wenger tocou no assunto do reinado de Hitler, e os alunos quase instintivamente cuspiram respostas sobre como a Alemanha nunca cairia nessa armadilha novamente. A situação acabou saindo do controle, o que de início era apenas uma brincadeira aparentemente inocente, ganhou traços de seriedade e afetou profundamente a vida daquelas pessoas. O professor avesso ao que acontecia fora da sala de aula, sua ânsia em ser encarecido, seu ego diante os outros professores o cegaram e ele não se deu conta disso.
          É um filme impactante, nos mostra como até uma grande massa pode ser manipulada, pode ser moldada e explorada. A alma do fascismo estava apoiada na sedução e na psicologia, e por isso muitas pessoas acabaram envolvidas no regime
totalitário. Esse é o tema central do filme. Com a grande atuação de seu jovem elenco, o filme canoniza as qualidades de um regime ditador, mas também nos leva a suas piores consequências.
          Em sua trajetória, Die Welle ganhou dois prêmios e foi indicado a outros seis. Uma coisa deve ser deixada clara, trata-se de um filme alemão, e com estilo pois Die Welle é um exemplo desse novíssimo cinema, que prima historias autenticas, temáticas
contemporâneas e tratadas de forma crítica. O cinema alemão é um dos melhores do
mercado, o diretor Dennis Gansel nos demostra isso com esmero. 








sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Medianeras (2011)
Yasmin Farias19:38 0 comentários

                                



        Medianeras é um filme argentino de Gustavo Taretto que aborda a maneira como a tecnologia e a cidade influênciam cada vez mais nos hábitos humanos. O crescimento da cidadeo movimento da massa, a rotina "moderna" e o acúmulo de propagandas, tiram cada vez mais o espaço e o lugar de uma "bela janela", sobrando e destacando as medianeras. Medianera é uma palavra pouco conhecida porém com uma presença bastante comum na cidade, é o lado do edifício que deixa o morador sem comunicação com a sociedade.
        O filme faz uma alusão da construção das nossas vidas com a construção de prédios e o avanço da tecnologia, é uma maneira adequada de se pensar, o homem é um produto do meio, e o meio é um produto do homem, ambas as coisas estão ligadas, e não podem ser estudadas separadas como já observou Rousseau. Nossas vidas vão crescendo junto com a cidade, se ajustando ao meio, ao caos, a bagunça da vida moderna, vamos crescendo e nos adaptando a ela e como a ela. Em cada parte da História podemos notar que a sociedade cresce junto e a maneira de seu 'meio', a civilização é o conjuntos dos dois, homem e meio, e como se relacionam.
        Os celulares, os torpedos ilimitados, e principalmente a internet possibilitaram e melhoraram a comunicação, falamos com todos a qualquer hora em qualquer lugar, compramos, estudamos, vemos filmes, pagamos contas, fazemos tudo através da internet, ela nos aproximou do mundo. Assim, a tecnologia reinventou o meio de comunicação, mas paralelamente nos distanciou da vida, e das pessoas que estão mais próximas.
        O crescimento da cidade trouxe seus infortúnios, aumentou o número e com ele a quantidade de nomes a lista de doenças, muitas pessoas senão todas, são vítimas de pelo menos uma delas: depressão, apatia, obesidade, estresse, solidão e a lista só tem a crescer, os psicólogos parecem que passam seus dias criando sintomas e nomes novos, este é um dos males do seculo XXI, todos são doentes.
         Martin (Javier Drolas) e Mariana (Pilar López de Ayala), um webdesigner e uma arquiteta, duas profissões que apresentam bem o tema a ser tratado, são dois jovens vítimas desse "sistema moderno" estão se desacostumando a se relacionar com as pessoas pessoalmente. Levam uma vida deprimente e solitária, uma vida escura, que após várias tentativas só conseguem se adequarem ao meio quando abrem uma janela irregular na medianera, possibilitando assim a entrada de um pouco de luz, acabando com a impressão neutra de seus apartamentos e passando a iluminar suas vidas, abrindo espaço até para enxergar o que ocorre lá fora.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

The Maze Runner (2014)
Unknown07:22 0 comentários

The Maze Runner (2014)
Em um labirinto aparentemente sem saída, a única opção é correr entre monstros e lembranças.
            Chega aos cinemas mais uma história de ficção científica. Maze Runner – Correr ou Morrer (The Maze Runner) já é comparada a outras sagas lançadas recentemente adaptadas para o cinema. Diferente de Jogos Vorazes ou Divergente, a história não se sustenta por questões políticas e sim por um mistério que prende o telespectador fazendo com que queiramos saber mais sobre história, o que é fundamental para que sequencie com a mesma qualidade.
A adaptação, do best seller do escritor James Dashner, é conduzida pelo cineasta Wes Ball. A trama conta a história de Thomas (Dylan O'Brien), um garoto que acorda em um elevador sem memórias e que é levado a um imenso campo, a Clareira, habitado pelos Clareanos, um grupo de jovens que foram enviados da mesma forma que Thomas. O local é rodeado por altos muros, escondendo um misterioso labirinto que os mantém refém de criaturas monstruosas chamadas “Vergudos”.
Mesmo com um elenco pouco conhecido e inexperiente, salvo o protagonista que atua no seriado Teen Wolf e o vilão da história, o Gally (Will Poulter), que trabalhou em As Crônicas de Nárnia, o filme consegue se manter e apresentar ao público os problemas desse mundo pós-apocalíptico.
O filme se mantém fiel ao suspense e ação narrados com tamanha qualidade que, em alguns momentos, consegue ir além do livro, mesmo que as cenas aconteçam de uma maneira diferente. As cenas no labirinto causam desespero e emoção, graças à atmosfera claustrofóbica criada e muito bem explorada. O enredo nunca para, uma descoberta leva a outra, fazendo com que a ação seja contínua, algo que acaba sendo um ponto forte do filme.
No entanto, o ponto desagradável, que o filme perde em relação ao livro, são os personagens e a falta de exploração desses. O filme consiste em deixar tudo muito “ação” e acaba deixando passar a ligação que os personagens têm na obra original. A amizade e o companheirismo dos jovens tornariam o filme mais emocionante nesse quesito. Em um contexto geral, a adaptação teve um bom resultado, apresentando ao público uma possível saga de sucesso.

E ao assistir o filme não se esqueça, WCKD IS GOOD.

Por: Fabio Alves e William Bruno

sábado, 27 de setembro de 2014

O doador de memórias/ The giver (2014)
Unknown12:39 0 comentários


Será que no final das contas viver sem amor para que vivamos em harmonia é tão ruim assim? O que estaríamos dispostos a sacrificar pela vida em harmonia?


Essa seria a maior reflexão do filme O doador de memórias (The Giver). No entanto, antes mesmo de aprofundarmos essas ideias, é importante ressaltar que o filme é baseado na obra de Lois Lowry, assim, em se tratando de uma tradução cinematográfica não ficaremos presos à comparação de uma obra com a outra, até mesmo porque as reflexões feitas aqui partem de um grupo de espectadores que vão além da função de apenas assistir, gostar ou desgostar.
The Giver narra uma sociedade futurista na qual tudo é minunciosamente controlado, não há crimes, pobreza, fome, desigualdade, doenças ou dor, assim como também não há nenhuma forma de sentimento genuína como o amor e a felicidade. A sociedade é designada a viver sempre o presente, pois o passado lhes foram apagados da memória. Nessa sociedade, os jovens quando estão indo dos 11 anos para os 12 anos, passam por uma cerimônia de Atribuição em que são direcionados para as atividades as quais possuem mais habilidades.
O protagonista dessa narrativa é um jovem chamado Jonas (Brenton Thwaites), que durante a cerimônia de Atribuição é o escolhido para ser o próximo receptor das memórias, ou seja, aquele que receberá todas as memórias da humanidade. A partir desse momento, Jonas passa por um treinamento em que começa a receber as memórias sobre as cores, alegrias, músicas e amor. Em contra partida, recebe também memórias como a dor, a guerra e a morte.
            O filme, embora tenha grandes ideias e motive uma certa reflexão, falha, pois o roteiro é mal construído, é claro que ao se pensar em qualquer tradução muitas coisas serão perdidas. No entanto, o roteirista (Michael Mitnick) não conseguiu manter uma narrativa clara e envolvente, parece que tentaram colocar tudo em um tempo muito curto, os conflitos ficam mal desenvolvidos e consequentemente mal resolvidos, as soluções apresentam-se de forma muito rápida e sem emoção. A perda de emoção do filme é resultado também do mal desempenho dos atores, infelizmente, mesmo tendo a brilhante Meryl Streep como Chefe Elder, o Mise en scène dos personagens torna-se robótico e sem muita motivação ―salvo a Meryl, claro―.  
            Não pretendemos discutir toda parte técnica, porém gostaríamos de fazer algumas ressalvas, a trilha sonora não é a pior parte do filme, mas, como já comentado, pensamos que ao se tratar de um filme que fala sobre a humanidade, faltou um pouco de sensibilidade e de presença. O diretor (Phillip Noyce) poderia ter tornado o filme mais agradável, mais dinâmico e mais emocionante, com a escolha dos planos e sequências, mas não o fez... Há cenas que ficariam melhores com plongée, mas o diretor optou contra-plongée.
            Embora todas essas ressalvas, o filme também apresenta aspectos positivos. A relação do preto e branco com as outras cores transmite ao espectador a divisão entre a monotonia versus a diversidade, o padrão versus a inovação.  Além disso, o filme propõe questões que sempre precisam ser pensadas e questionadas, afinal como diz José Saramago: “Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas”. Enfim, The Giver não é um filme ruim mas sim um filme mal trabalhado que vale a pena ser visto.
            Não deixe de comentar, caso discorde, fique à vontade para argumentar.
Para aqueles que ficaram curiosos, eis o trailer:


Por: Fabio Alves e Viviane Freitas